`n `n `n Phillip L. Rose | About Me `r`n

SOBRE MIM

SOBREVIVER EM SILÊNCIO

Eu cresci aprendendo que o silêncio era uma forma de sobrevivência. Desde cedo, entendi que falar poderia piorar as coisas, e que existir, muitas vezes, significava suportar. Em um ambiente marcado por ausência de afeto e violência silenciosa, aprendi a me anular para evitar conflitos. No coração, havia uma sensação constante de não pertencimento, como se eu fosse um erro em um lugar que nunca me reconheceu. Minha infância foi marcada pela ausência de cuidado e pela presença constante da dor, onde deveria haver proteção.

Palavras duras e gestos cruéis moldaram a forma como eu passei a me enxergar. Cresci acreditando que havia algo errado comigo, como se minha própria existência fosse um equívoco. Essa percepção não surgiu de dentro, ela foi construída ao longo do tempo. Com os anos, esse sentimento deixou de ser apenas uma fase e se tornou parte da minha identidade. Eu não sabia quem era fora da dor, nem como existir sem carregar esse peso. Ainda assim, algo resistia em silêncio, uma parte de mim que se recusava a desaparecer.

Foi então que comecei a me distanciar, não das memórias, mas da forma como elas me aprisionavam, direcionando-me para o início de algo novo. No começo, era apenas um esboço, um fragmento de algo que eu ainda não compreendia, mas que com o tempo se tornaria algo precioso e duradouro. Aos poucos, deixei de apenas sobreviver e comecei a transformar dor em significado, criando algo que daria sentido àquilo que antes existia apenas como ferida.

Polaroid de família: um homem barbudo de suéter marrom, uma mulher de cabelo escuro e um bebê de blusa azul posam juntos do lado de fora.
Duas Polaroids lado a lado: um garoto de kimono branco fazendo pose de karatê e, na outra, um homem e uma menina fazendo caretas divertidas.

FRAGMENTOS DE UMA CRIAÇÃO

Em 2012, tudo começou a tomar forma a partir de conversas entre amigos, onde ideias fragmentadas começaram a se organizar em torno de algo maior. Era ainda indefinido, quase instintivo, mas já carregava a essência do que viria a existir. Naquele momento, eu ainda não compreendia completamente o que estava criando, apenas sentia que havia algo ali que precisava ser desenvolvido.

Em 2014, tentei aprofundar esse processo por conta própria, buscando dar forma ao que antes era apenas conceito. No entanto, o caminho se mostrou mais complexo do que o esperado, e muitos desses esforços acabaram sendo interrompidos. Ainda assim, a essência daquilo que havia surgido não desapareceu. Foi nesse período, entre tentativas e algumas interrupções, que as primeiras manifestações de Summers Lake começaram a emergir, deixando de ser apenas uma ideia e se tornando algo mais definido, ainda que incompleto.

Em 2016, a transição para a vida adulta trouxe consigo novas responsabilidades e incertezas. Dividi meu caminho entre os estudos de História e um período na área de Biomedicina, até que limitações financeiras me obrigaram a redirecionar minhas escolhas. Retornei à História e me tornei professor, mas a escrita permaneceu constante, quase inevitável. Com o tempo, compreendi que um único livro não seria suficiente para conter o universo que começava a se formar.

A CRUZ QUE NÃO ERA MINHA

Em 2021, conheci aquela que se tornaria minha esposa, e pela primeira vez em muito tempo encontrei um espaço de acolhimento, escuta e presença real. Em meio a tudo o que eu carregava, surgiu algo que me conectava à vida de uma forma diferente, trazendo uma sensação que eu já não reconhecia mais. Era como se, mesmo entre tantas feridas, ainda fosse possível existir algo verdadeiro, algo capaz de permanecer.

Em 2023, o chão que eu acreditava ser firme simplesmente desapareceu. Perdi minha avó, a mulher que foi minha verdadeira mãe e meu porto seguro, e vi o desemprego no Estado e a partida repentina do meu sogro abrirem feridas que décadas de silêncio não conseguiram curar. Tudo o que parecia minimamente estável foi sendo arrancado, revelando um vazio que eu já conhecia, mas que agora retornava com ainda mais força.

Foi no tratamento psicológico que comecei a compreender a dimensão do que carregava. Fui confrontado com dores que nunca foram minhas, marcas deixadas por crueldades que não deveriam ter existido. Por muito tempo, sustentei um peso que não me pertencia, como se fosse responsável por tudo aquilo que fizeram comigo. Em uma das sessões, ouvi algo que mudou a forma como eu enxergava tudo: a cruz que eu carregava não era minha. Ouvir isso não apagou as marcas, mas abriu uma fissura naquilo que parecia definitivo. Pela primeira vez, existia a possibilidade de não ser definido pelo que me feriu, mas pelo que eu ainda poderia reconstruir a partir disso.

Polaroid com um homem de cartola e três meninas fantasiadas em clima de festa.
Polaroid com duas pessoas fazendo careta com máscaras faciais, iluminadas por luz interna.

O PERDÃO ME LIBERTOU

Em 2025, através da minha fé em Deus e do apoio incondicional da minha esposa, que segurou minha mão quando eu já não tinha forças para me manter de pé, compreendi uma das lições mais difíceis: o perdão. Perdoar aqueles que me feriram não apagou as cicatrizes, mas interrompeu o ciclo da dor. Pela primeira vez, o vazio deixou de sangrar, e o que antes era peso começou a se transformar em algo que eu podia, finalmente, sustentar sem me destruir.

Foi na fé que encontrei direção. Mesmo diante de caminhos instáveis e barreiras que pareciam intransponíveis, algo em mim já não recuava. Summers Lake e Midnight Whispers deixaram de ser apenas ideias no subconsciente e se tornaram expressão. Não como fuga, mas como construção. Não como escape, mas como testemunho de alguém que encontrou um propósito maior mesmo após atravessar a escuridão.

O perdão não apagou o passado, mas mudou a forma como ele habita em mim. A escrita se tornou o lugar onde aquilo que me feriu é ressignificado, protegido e transformado. Hoje, esta obra é a prova de que superei becos escuros e muralhas colossais. O universo de Summers Lake e de Midnight Whisper não são apenas ficção; são a minha sobrevivência que logo tornou-se realidade. O abismo sempre reconheceu o meu cheiro, mas hoje eu caminho sobre ele, sustentado pela fé e pela certeza de que a escuridão não me define mais.

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